A Meta enfrenta a partir desta terça-feira, no tribunal federal de Oakland (Califórnia), um julgamento histórico movido por procuradores-gerais de 29 estados americanos. A empresa é acusada de projetar intencionalmente o Instagram e o Facebook com recursos viciantes — como a rolagem infinita e sistemas de recomendação —, estimulando o uso compulsivo entre jovens e violando leis de privacidade e de proteção ao consumidor.
O processo busca aplicar multas gigantescas e obrigar as plataformas a alterar seu modelo de negócios, removendo ferramentas que induzem à dependência e restringindo o acesso de menores. A penalidade teórica máxima é estimada pela Meta em US$ 1,4 trilhão, enquanto os acusadores estimam valores em torno de US$ 193 bilhões. O caso é comparado por especialistas ao histórico acordo de US$ 206 bilhões firmado em 1998 com a indústria do tabaco.
A tese jurídica adotada acusa a Meta de "perturbação da ordem pública", responsabilizando o design dos produtos pelos danos à saúde mental dos usuários. Com duração prevista de cinco semanas, o julgamento terá função consultiva do júri, cabendo a decisão final à juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers. O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, e o chefe do Instagram, Adam Mosseri, estão entre os convocados para depor.
— Foto: Kyle Grillot/Bloomberg